White Paper

 
  • Uma pesquisa junto de 6.000 empresas em toda a Europa mostra diferenças significativas na forma como os diversos setores de atividade são atingidos pelas dívidas e pelos atrasos de pagamento.
  • Incobráveis sobem 2.7% em toda a Europa
  •  Construção, Educação e serviços financeiros com dados preocupantes
  • A Intrum Justitia acredita que a situação vai piorar em 2012 e apresenta algumas medidas de proteção para as empresas

 

Em toda a Europa, praticamente todos os setores de atividade estão a ser afetados no atual clima económico, através da espiral de dívidas incobráveis, destaca a Intrum Justitia no Relatório que divulga neste mês de Novembro.

 

A grande maioria das empresas europeias, independentemente da sua dimensão ou setor de atividade, estão a lutar para ter sucesso numa economia onde os consumidores estão relutantes em gastar dinheiro e onde os bancos não estão dispostos a emprestar, especialmente às PME, que contribuem com mais de metade do valor acrescentado criado pelas empresas em toda a UE.

 

Em 2010 foram identificados 312 mil milhões de euros de incobráveis, o que representa 2,7% de todas as transações. No entanto, este valor varia nos vários setores de atividade, sendo o setor dos serviços profissionalizados - advocacia, projetistas, designers e arquitetos - um dos mais atingidos.

 

O não pagamento faz aumentar o preço dos bens e dos serviços. De acordo com o relatório da Intrum Justitia, se as empresas não tivessem tanto dinheiro empatado, fruto das dificuldades de cobrança, conseguiriam diminuir os preços e aumentar o seu investimento em pesquisa e desenvolvimento, tecnologia e recursos humanos.

 

De acordo com Luis Salvaterra, Diretor Geral da Intrum Justitia, "O nosso estudo indica que o cenário vai piorar. Os Serviços profissionais, por exemplo, são frequentemente atingidos por cortes nos orçamentos dos seus clientes, e esta situação está a verificar-se atualmente. Alguns setores mostram-nos mesmo que vão ter um aumento da dívida no próximo ano ".

 

“A pressão sobre as empresas e sobre o Estado para implementação de uma rápida cobrança, nunca foi tão forte como a que é exercida hoje em dia. Por isso mesmo, a adoção de melhores práticas e a gestão de crédito nunca foram tão cruciais”, defende Luis Salvaterra, Diretor Geral da Intrum Justitia Portugal.

 

O mesmo responsável acredita ainda que “A desaceleração económica está a ter claramente um impacto sobre o atraso nos pagamentos em todas as empresas. Isso só aumenta a necessidade das empresas e do Estado criarem e sustentarem sistemas de recuperação de crédito, uma vez que o futuro das empresas e dos postos de trabalho dependerão da capacidade em manter um controle firme dos custos através de uma eficiente gestão dos processos de crédito”.

 

 

Serviços Profissionais

Os Serviços Profissionalizados (contabilistas, advogados, empresas de recrutamento e arquitetos, por exemplo) são uma atividade vital para a economia europeia, no entanto, estão a sofrer, nos últimos tempos um aumento da percentagem de incobráveis. De acordo com os últimos dados recolhidos, a percentagem de incobráveis situa-se nos 4.5%. Para além disso, não se têm verificado melhorias no que respeita ao número de dias que em média necessitam para cobrar as suas faturas.

Neste setor, os atrasos nos pagamentos são superiores no setor público e mais de 50% das faturas são pagas fora dos prazos.

 

Construção

O setor da construção civil registou em toda a Europa um aumento de incobráveis de 3.6%, no inquérito de 2011, um valor um pouco mais alto em comparação com o ano anterior que tinha registado 3.4%.

Cerca de 54% das faturas são pagas fora dos prazos.

 

Indústria Transformadora

Na Indústria Transformadora Europeia, a percentagem de incobráveis situa-se nos 2.5%, ligeiramente abaixo da média da EU que é de 2.7%.

Os maiores atrasos de pagamento verificam-se no setor público, com um atraso médio de 36 dias. Algumas empresas chegam a mencionar prazos de 180 dias, relativamente ao setor público.

Embora cerca de 65% das faturas sejam pagas dentro dos 30 dias, há um grande pessimismo face ao futuro, com 60% dos entrevistados convencidos que a situação vai piorar nos próximos meses.

 

Educação

Verifica-se um aumento de 3.5% para os 3.7% no que respeita aos incobráveis. Cerca de 40% das faturas são pagas com atraso, sendo que 20% são pagas depois dos 90 dias.

A pesquisa revela que 67% dos entrevistados acredita que a situação dos pagamentos permanecerá estável, embora nenhum dos entrevistados preveja qualquer melhoria nos próximos meses. Cerca de 90% acreditam que as faturas estão a ser pagas mais tarde porque os devedores estão com dificuldades financeiras.

 

Media

O setor dos Média está um pouco pessimista quanto a sinais de melhoria nas economias nacionais, durante o próximo ano onde a percentagem de incumprimentos é de 2.6% e onde 49% das faturas são pagas depois de 30 dias. Cerca de 65% dos entrevistados acreditam que os riscos de pagamento vão permanecer no mesmo nível nos próximos meses. A maioria deles considera que os seus devedores estão a ter dificuldades financeiras e daí os atrasos.

 

Serviços empresariais

Os serviços empresariais, que englobam empresas de marketing, agências de comunicação e agências de publicidade, têm uma percentagem de incobráveis de 2.3%, um valor inferior ao verificado no setor dos serviços profissionais cujo valor de incobráveis se situa nos 4.5%. Esta situação é justificada pela Intrum Justitia, uma vez que no caso dos serviços empresariais se verifica uma relação mais próxima com o cliente e que é, na maior parte das vezes, prolongada no tempo ao invés do que se verifica nos serviços profissionais.

 

Setor grossista e retalhista

Este setor conseguiu reduzir o valor dos incobráveis no último ano, uma vez que assumiram uma atitude mais pro ativa no que respeita aos pagamentos. A percentagem dos incobráveis ainda se situa nos 2.4% e estão a ser pagas mais faturas dentro dos 30 dias, embora haja uma média de 18 dias de atraso para o pagamento no setor público.

 

Setor Imobiliário

Trata-se de um setor que está a atravessar grandes dificuldades e onde a percentagem de incobráveis se situa nos 3.8%.

 

Telecomunicações

A percentagem de incobráveis neste setor é de 2.7% e os atrasos de pagamento por parte das empresas e dos consumidores diminuíram. Dos entrevistados, 55% acreditam que os riscos de pagamento aumentarão nos próximos meses.

 

Transportes e Logística

Embora as faturas estejam a ser pagas um pouco mais rápido, os incobráveis aumentaram, situando-se agora nos 2.3% face a 2.1% em período homólogo.

 

Serviços Financeiros

A percentagem de incobráveis aumentou para os 3%, uma percentagem superior ao verificado no ano anterior (2.2%). Neste setor, 65% dos pagamentos estão a ser pagos dentro dos 30 dias e 10% após os 90 dias.

 

Utilities (gás, água e eletricidade)

Este setor tem conseguido manter uma baixa percentagem de incobráveis (1.5), uma vez que os consumidores não podem viver sem água e energia. O atraso nos pagamentos situa-se entre os nove e os 14 dias.

 

Saúde

O setor da saúde (hospitais, farmácias, farmacêuticas) depara-se tradicionalmente com longos períodos de atrasos de pagamento, cerca de 20 dias para os consumidores e 30 dias para o setor público.

A percentagem de incobráveis aumentou 1.8% para os 2.7%, nesta última pesquisa, sendo que 50% das faturas não são pagas no tempo determinado.

 

Para evitar que a situação se agrave há um conjunto de medidas que as empresas podem cumprir para se protegerem. Acreditamos que as empresas que conhecem os seus clientes e implementam políticas de crédito eficientes recebem os seus pagamentos mais cedo e acabam por ter de amortizar uma percentagem menor das suas vendas e assim manter-se competitivos num mercado economicamente mais volátil.

 

A Intrum justitia sugere:

 

  1. Criar e implementar uma política de crédito sólida para gerir os seus riscos
  2. Acompanhar cada passo no processo de gestão de crédito
  3. Identificação do cliente
  4. Informar o cliente de todas as condições contratuais
  5. Coordenação entre as vendas, o marketing e o departamento financeiro
  6. Verificar regularmente a informação relativa aos clientes: moradas, contactos…
  7. Monitorização das políticas económicas e de informação
  8. Definir estratégia de cobranças
  9. Ampliar e equilibrar a sua estrutura de clientes através da segmentação
  10. Não esperar e tomar medidas imediatas para obter pagamentos